Há catorze anos comecei a escrever este blogue e, nessa altura, era apenas isso… um blogue associado ao site.

Pelo caminho vieram as revistas, a televisão, os cursos, os projetos, as redes sociais… escrevi centenas de textos e este espaço acabou por ficar parado. Houve várias tentativas de o recuperar… uma em 2020, outras em 2022, 2023 e 2024, mas quase sempre para divulgar workshops ou outros projetos. No fundo, havia sempre uma vontade muito maior… voltar a escrever sobre decoração, sobre a forma como vivemos os espaços e sobre aquilo que eles nos fazem sentir.

Até que, agora, ao olhar para trás, percebi uma coisa curiosa… a Rita que escrevia em 2012 continua exatamente aqui. Apenas cresceu.

Durante anos achei que estava a construir uma casa, afinal, estava apenas a construir as suas divisões. A arquiteta, a decoradora, a professora, a cronista, a mulher que viaja, a apaixonada por hotéis, a curadora, a mulher que decidiu celebrar os cinquenta anos em Marrakesh. E foi precisamente ao me estar a aproximar dos cinquenta que percebi que tudo aquilo que fui construindo ao longo dos anos fazia finalmente sentido em conjunto. Faltava apenas um corredor… um corredor onde todas essas divisões finalmente se encontrassem.

É exatamente esse o papel do Editorial.
Um espaço onde a arquitetura de interiores se cruza naturalmente com as viagens, os hotéis, os restaurantes, a arte, os livros, as exposições e todas as referências que, de uma forma ou de outra, acabam sempre por influenciar a forma como projeto e penso os espaços… porque é precisamente aí que nasce cada projeto.

Não será um espaço para ensinar… para isso existem os cursos. Também não será um espaço para mostrar apenas projetos… para isso existe o portefólio. Será, acima de tudo, um espaço para observar, para partilhar aquilo que vou descobrindo pelo caminho, os lugares que me marcam, as casas que me fazem parar, os pormenores que quase toda a gente deixa passar e as histórias que, muitas vezes, acabam por explicar muito melhor um espaço do que uma planta ou uma fotografia.

Percebi finalmente porque sempre escrevi… e porque senti tanta falta deste espaço.
Agora que caminho por este corredor, já não me faz sentido voltar a fechá-lo. Agora que descobri o porquê, já não é possível voltar a parar.