Quando fui a Marrakesh pela primeira vez, em 2022, não fazia ideia do que ia encontrar.
Na minha cabeça era uma cidade cheia de contrastes… restaurantes bonitos, ruas sujas, muito lixo, pouco segura, um destino onde seria preciso andar constantemente alerta.
Organizei tudo ao pormenor com a ajuda de uma agência local e fiz questão de ter motorista durante toda a viagem.
Hoje digo que o ar condicionado do carro fez toda a diferença… o motorista, nem tanto.
Marrakesh não é a cidade mais limpa do mundo nem a mais segura, mas está a anos de luz da imagem que eu tinha criado.
É uma cidade com uma identidade incrível, cheia de cor, de vida e de uma energia difícil de explicar… quase parece uma cidade encantada, como que o encanto das serpentes que desapareceram da Praça Jemaa el-Fna acabasse por passar para quem a visita.
Foi também nessa primeira viagem que ouvi falar do El Fenn e, desde o momento em que comecei a preparar a viagem, sabia que queria usufruir naquele rooftop. Não aconteceu… cheguei durante a tarde, estavam uns quarenta graus, à sombra, e confesso que a primeira reação foi muito simples.
“Isto é tudo muito bonito… mas é impossível ficar aqui!”
Ainda assim, houve qualquer coisa naquele espaço que não me saiu da cabeça e, curiosamente, foi crescendo em mim durante os anos seguintes… talvez fossem os encarnados, talvez as lanternas, talvez as riscas ou simplesmente aquela identidade tão própria que caracteriza este hotel.
Quando comecei a preparar a viagem de 2026 fiz a reserva meses antes, desta vez nem os quarenta graus me iam impedir de usifruir naquele rooftop… e valeu cada grau!
Até porque o próprio espaço parecia diferente. A iluminação tem dessas coisas… há espaços que durante o dia são bonitos e à noite tornam-se absolutamente deslumbrantes.

E foi aí que comecei verdadeiramente a olhar para tudo o que me tinha escapado da primeira vez.
Os pratos dispostos ao longo da parede pareciam formar um enorme quadro. Passei o jantar inteiro quase hipnotizada a olhar para eles e a fotografá-los… de vários ângulos. As lanternas suspensas desenhavam um teto de riscas sobre as mesas, enquanto os bancos corridos, cobertos por centenas de almofadas de padrões diferentes, pareciam provar que misturar tudo resulta… desde que exista um fio condutor que una todas essas peças.

Não são muitas cores… são muitos tons da mesma cor. Encarnados que vão do mais claro ao mais escuro e se misturam com os rosas. E um branco que está ali apenas para os fazer brilhar. Depois aparece uma risca preta… quase como a cereja no topo do bolo.
Os vários tons de encarnado mudam durante o dia… de tarde fundem-se com o terracota que é Marrakesh, de noite destacam-se quando contrastam com o céu escuro. É como se o espaço ganhasse uma segunda vida.
A comida? Não está ao nível da decoração… Valeu-me o pão!
Se voltava? Hoje, amanhã… sempre!
Não consigo imaginar voltar a Marrakesh sem passar pelo El Fenn.
E, curiosamente, aquilo que começou por ser um rooftop acabou por me levar até uma das lojas mais bonitas que conheço… mas essa fica para outro dia.
