Fui convidada para conhecer a nova coleção da Bordallo Pinheiro e, assim que recebi o convite, fiquei logo entusiasmada. Conheço bem a marca e sei que dificilmente desilude, mas confesso que estava ansiosa por ver estas peças ao vivo… e ainda são mais bonitas do que imaginava.
A apresentação aconteceu na loja do Museu Calouste Gulbenkian e não podia haver lugar mais acertado. O museu guarda uma das mais extraordinárias coleções de ourivesaria portuguesa do século XVIII, algumas inspiradas no mar e na sua fauna, por isso esta coleção das ostras parecia que sempre tinha pertencido ali. A ligação faz todo o sentido.
O mais fascinante é perceber que, apesar de terem uma linguagem tão contemporânea, estas peças nascem de um enorme respeito pela história. Algumas já existiam e foram reinterpretadas, outras tiveram de ser desenhadas de raiz, seguindo um princípio que adorei conhecer, perguntar sempre se Rafael Bordalo Pinheiro, caso estivesse vivo hoje, faria aquela peça. Se a resposta for sim, a peça avança para produção… acho esta forma de criar absolutamente genial.
Por trás desta coleção há anos de investigação sobre o legado de Rafael Bordalo Pinheiro. O seu acervo continua a revelar novos moldes, desenhos e referências e é precisamente dessa pesquisa que nasce uma coleção que consegue ser profundamente portuguesa sem nunca parecer presa ao passado.
Depois há as peças… e aí aconteceu aquilo que já se estava mesmo a adivinhar, comecei a imaginar onde é que cada uma ficava lá em casa.
Entre pratos, marcadores, terrinas, castiçais, candeeiros e tantas outras peças maravilhosas, há um candelabro em forma de coral pelo qual fiquei perdidamente apaixonada. Olhei para ele, pisquei-lhe o olho e pensei… um dia vens morar comigo. E, conhecendo-me como me conheço… diria que esse dia não deve estar muito longe.
É impossível não sair dali com vontade de levar metade da coleção para casa. A Bordallo Pinheiro continua a fazer aquilo que tão poucas marcas conseguem, reinventar-se sem perder identidade. Continua a surpreender pelo design, pela criatividade e pelos detalhes absolutamente extraordinários… porque a qualidade, essa, já deixou de ser notícia há muito tempo.

Só espero que este ano não lancem muitas mais coleções, porque a minha wishlist não para de crescer, os armários já estão no limite e… a minha capacidade de resistir é oficialmente nula!
