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Varandas e Alpendres em tempos de Quarentena

Como costumo dizer nos meus workshop de decoração, as casas não terminam nas paredes para o exterior, as casas terminam quando não podemos dar mais um passo sem cair da varanda, ou quando encontramos o muro que dá por terminado o nosso terreno. Infelizmente, habituados a ter sol o ano inteiro, a maioria dos portugueses não dá valor nem aproveita as varandas, os terraços, nem os jardins.

Agora que estamos todos, e os que não estão deveriam de estar, de Quarentena tenho visto pelo instagram e os meus próprios vizinhos a usar as varandas como podem, uns levam Puffs, outros cadeiras, cada um leva o que pode para estar ao sol e na “rua” durante este tempo de quarentena. Gosto disso!!! 
Esta é aquela altura em que dispensamos o conforto do nossa lar em troca do conforto exterior, ar puro, sol , e tudo o que estamos a ser privados. Na cidade ou no campo qualquer varanda, marquise ou alpendre pode servir para o efeito, desde que esteja preparado para o efeito.

Para o fazer de forma simples basta:

1 – colocar duas cadeiras com uma mesa de apoio no centro onde se possa sentar a descansar e ter onde colocar um livro, revista ou algo com que se possa entreter caso não tenha uma paisagem de cortar a respiração.
Como não podem ir todos a correr comprar estas peças usem a mesa e a cadeira da cozinha, regra geral os materiais resistem melhor no exterior.

2 – pode colocar ou não um tapete por baixo, fica sempre mais conformavel para quem prefere estar descalço. Aquele tapete que está sempre a dizer que tem de trocar, é agora que vai chegar ao fim da sua vida, mas vai ser muito útil e vai agradecer ainda não o ter trocado.

3 – Almofadas decorativas dão sempre algum conforto às costas e deixam o ambiente decorado durante a nossa ausência. Podemos usar almofadas regulares ou com tecidos próprios para o exterior ficam protegidas caso haja uma ou outra noite mais húmida. Use as que estão em pior estado, assim tem a desculpa perfeita, quando tudo isto acabar, dar um look mais primaveril à sua sala.

4 – À medida que o sol se vai pondo começa a arrefecer e uma manta torna-se essencial que ao final da tarde os dias ainda são frescos.

5 – para refrescar sabe sempre bem uma água, para fugir à convencional que bebemos o dia inteiro prepare uma água aromatizada pela manhã ou de vespara com, hortelã, pepino e limão ou outra fruta.

6 – As plantas ajudam não só a decorar como a sentirmos – nos mais próximos da natureza, alegram o espaço e muitas emanam aromas agradáveis que nos ajudam a relaxar, sendo por isso indispensáveis.
Traga algumas que tem no interior a apanhar sol durante o dia.  

Se não tem uma varanda suficientemente larga para colocar tudo isto, ponha apenas as flores, coloque um cadeirão junto à janela com uma mesa de apoio, abra as portadas e usufrua do sol e do ar que vem de fora!

Gostava muito que depois desta experiência todos dessem mais valor às suas varandas/ marquises e as tivessem arranjadas o ano inteiro, de modo a estarem sempre preparadas para  poderem usufruir nos dias de sol. 

Um estudo de mercado concluiu que mais de 60% dos portugueses utilizam as varandas para colocar o estendal da roupa, o que para mim, que ao mudar de casa fiquei sem o meu terraço, é um acto criminoso!!! É óbvio que a roupa precisa secar em algum lado e pode lá ir durante umas horas e depois ser retirada, mas não é muito mais agradável aproveitar estes espaços para relaxar?

Painel Menos é Mais – Colégio de Santa Doroteia

Há umas semanas atrás pedi aos meus seguidores, no instagram, para votar se queriam ter dicas exclusivamente de decoração sobre o tema Menos é Mais ou se queriam outros assuntos. Venceu em grande escala o Menos é Mais e muito em breve vão sair 6 dicas de Menos é Mais que podem aplicar em todas as casas. 

Esta votação não surgiu por acaso, nem pelas minhas preocupações constantes com o ambiente, nem por o minimalista estar de alguma forma na moda. Esta votação surgiu após uma passagem pelo meu antigo colégio.

Fui convidada como oradora para falar, no dia 20 de Fevereiro, sobre Menos é Mais, no Colégio de Santa Doroteia, juntamente com o Sr. Ministro do Ambiente – João Pedro Matos Fernandes, o Dr. João Delicado – Coach, o Dr. Manuel Pinto Coelho – Médico, e a nutricionista Agata Roquete, com o intuito de esclarecer algumas dúvidas desta nova geração em relação ao seu futuro. Num mundo em que todos esperam que sejamos os melhores em tudo, em que tudo é descartável, independentemente do ambiente estar a colapsar, em que a aparência e os bens materiais são cada vez mais valorizados e símbolo de status, a sua maioria apenas para mostrar nas redes sociais e encostar a um canto ou deitar fora, e onde a competição é feroz, é natural que os jovem de hoje se sintam perdidos e estes alunos, que têm uma educação baseada na simplicidade e em valores morais, ainda se sentem mais perdidos, especialmente com tanta promessa de que são especiais.

Tendo vindo a trabalhar este conceito de simplicidade há alguns anos foi muito fácil para mim falar do tema.

Apresentaram-me da seguinte forma:
Rita Salgueiro conhecida por Nini é Designer de Interiores, diz que para quem ser designer de interiores é muito mais do que uma definição profissional. É, acima de tudo, a sua vocação e a escolha que a realiza diariamente. Sem preconceitos, assume-se como uma workaholic, alguém que é capaz de ficar horas a fio a trabalhar para tornar as casas dos seus clientes verdadeiros lares.
Abraçou um dos maiores desafios da sua carreira ao aceitar ser um dos rostos do programa E agora o que é que eu faço? exibido na SIC Mulher. A par deste projeto mais mediático, Rita continua a trabalhar no seu atelier, a dar workshops e as suas consultas de ideias, nas quais dá dicas de como organizar os vários espaços dentro de uma casa. O livro de inspiração: “A Arte da Simplicidade”Este livro de Dominique Moreau promove um estilo de vida mais simples e natural, bem diferente daquele que vivemos na Europa, tão marcado pelo consumismo.”

É sempre engraçado ouvir os outros a descreverem-nos.


Muitas questões foram levantadas e cada um dos oradores respondeu à sua. A que me levantaram foi a seguinte:
“- Rita, viver em simplicidade, uma marca Doroteia, como podemos viver com gosto e de forma simples? Está o minimalismo na moda? Os tarecos e as coisas escravizam-nos, o verbo hoje é DESTRALHAR … Como?”

Tentei explicar o melhor que consegui, que é muito fácil destralhar, que hoje em dia temos excesso de “coisas”, as casas estão cheias de tudo, o que é necessário e o que é supérfluo, que temos uma tendência natural para acumular tudo, para materializar momentos, e que assim que nos começamos a ver livres de tudo o que não nos faz realmente falta, e se pensarmos bem é quase metade do que temos, começamos a usufruir mais o que temos, começamos a descansar mais, principalmente quando chegamos a casa, não só porque está tudo arrumado mas também por não sermos “bombardeados” com tanta informação à nossa volta, começamos a sentirmo-nos mais leves, ganhamos tempo ao não ter tantas peças para limpar, ao não ficar horas a decidir o que vestir, e por não andar a passear às compras para preencher um vazio que não se preenche com nada do que é material. Que a vida se encarrega de nos mostrar o que é realmente importante e que todo esse tempo perdido pode ser bem passado com amigos, a ler um livro que lhes acrescente algo e de outras formas bem mais agradáveis. Tentei explicar-lhes que o dinheiro é óptimo mas não compra tudo, e que eu até estava a precisar de uma cordas vocais novas mas não havia como, que é muito mais importante o “Ser” do que o “Ter”, que se “Formos” o nosso valor nunca se perde, podemos ser milionários um dia e cair em desgraça no outro que somos a mesma pessoa e continuamos a ser vistos como tal, temos os mesmos princípios, as nossas qualidades e isso nunca se perde, que as pessoas mais facilmente nos ajudam ao reconhecer o nosso valor pessoal que ao conhecerem a nossa carteira. E acima de tudo que se se sentirem bem com elas próprias não vão ter vazios para preencher com compras supérfluas e desnecessárias.
Poderia ter optado por uma imagem mais despojada, mas não, levei os acessórios que uso diariamente para que percebessem que uma coisa é livrarmos-nos do que está a mais, dar a quem precisa e deixar de consumir em excesso, outra é abdicar de tudo o que já temos e viver com privações que não fazem sentido. Como em tudo na vida, nesta questão do Menos é Mais impera o bom senso.


Depois de nos ouvirem a todos os alunos tiraram as suas conclusões e foi muito gratificante perceber que captaram bem a mensagem que lhes quis passar.

“A Designer Rita Salgueiro trouxe-nos algumas palavras das quais guardamos os seguintes conceitos: arrumar o nosso interior como espaço de conforto por excelência, ser mais organizados, criarmos uma sala de estar interior onde menos é mais.”

Foi muito engraçado voltar ao colégio e principalmente estar agora do outro lado. É muito gratificante poder passar esta mensagem aos jovens que hoje têm as mesmas dúvidas que todos nós tivemos e muitas mais criadas pelas novas tecnologias. Pelo que me foi transmitido mais tarde, foi importante para eles terem presente alguém que foi aluna no mesmo colégio e que teve as mesmas questões.
Grande parte do que sou hoje devo-o ao Colégio de Sta Doroteia e serei sempre muito grata por ter tido a oportunidade de lá estudar.


Aqui posso ainda acrescentar que esta mudança não foi de um dia para o outro. Até deixar o consumo desenfreado demorou uns 2 anos. Começou há 10 anos atrás, depois de ler o livro A Arte da Simplicidade e decidir deixar de consumir, principalmente roupa, de forma impulsiva. Levanto algumas questões sempre que me apetece comprar algo, tais como: preciso mesmo disto, se sim porquê, é um motivo suficientemente válido? Se for compro, até porque nos dias que correm já só compro o que realmente preciso, mas inicialmente a maioria das vezes que fazia estas perguntas a resposta terminava com um não. As compras eram sempre feitas em momentos em que andava a passear ou a fazer tempo nas horas de almoço. Logo quando havia o “vazio” criado por não ter um propósito e precisar de fazer tempo ou me distrair. No caso da roupa para ter roupa diferente para sair todos os fins de semana sem excepção. 10 anos depois só compro o que realmente preciso e ainda tenho coisas para dar.  Passei do tanta roupa e não tenho nada para vestir para o dei tudo só tenho isto para vestir, o que simplifica bastante o meu dia a dia.  Ganhei horas do meu dia com um roupeiro onde não perco tempo a escolher o que vestir e quando quero ainda posso brincar com os acessórios que comprei ao longo dos meus 33 anos de consumismo e criar looks diferentes e divertidos. 
Para a casa só compro até o espaço estar composto, mesmo quando vejo peças de perder a cabeça, se não tiver espaço onde as colocar não compro. Não faz sentido ter 10 jarras se apenas uma cabe no aparador e ter de desperdiçar espaço útil para guarda-las. Não faz sentido ter uma pilha de molduras com fotografias onde as de trás já nem se vêem. Ter 10 conjuntos de atoalhados e roupa de cama se existe apenas uma cama. E poderia dar muitos mais exemplos em que o mais se torna menos na nossa vida por não a simplificarmos.

No meu Menos É Mais a regra não é deitar tudo fora e ficar apenas com 33 peças num roupeiro como agora está na moda, ainda tenho e uso peças compradas nos tempos em que era aluna do colégio. Não é retirar tudo o que é acessório decorativo de casa e viver num minimalismo desconfortável. No meu Menos É Mais a regra é usufruir de tudo o que temos, dar o que já não usufruímos a quem precisa e comprar apenas o que é necessário, o que acontece quando as peças chegaram ao fim da sua vida.

Se pensarmos bem, até que ponto é que a maioria das coisas que compramos nos fazem falta?

Home Office

Novas profissões e formas de trabalhar têm surgido ao longo dos tempos, o que faz com que trabalhar em casa seja cada vez mais frequente, mas para que isso aconteça sem grandes distrações temos de criar um posto de trabalho fixo e organizado.

A secretária é onde passamos grande parte do nosso dia de trabalho e onde se desenvolve toda a parte burocrática do mesmo. Para que esse espaço fique mais organizado e agradável ficam algumas dicas:

– Estar virado para uma parede pode parecer um castigo. Para cortar esse efeito coloque o seu posto de trabalho junto de uma parede decorada com papel de parede neutro e acrescente um quadro divertido.

– Devemos ter uma boa iluminação para trabalhar sem esforço e encontrar tudo o que precisamos rapidamente. Um candeeiro no topo é o ideal. Sempre do lado esquerdo para não fazer sobra sofre a escrita. Em caso de ser canhoto/a colocar do lado direito.

– Para uma melhor organização deverá colocar todo o trabalho, agendas e assuntos a resolver do lado direito e o concluído do lado esquerdo. Vai ver que assim nada fica esquecido. 

– Os suportes de lapis e canetas devem ficar do lado direito, para uma melhor utilização dos mesmo, e de preferência num suporte apelativo que se integre na decoração da secretária. 

– Uma jarra de flores ou uma planta, é sempre agradável num espaço de trabalho. Não só embeleza a secretária como transmite uma sensação de bem estar e relação com natureza que reduz o stress.

– Se no início do ano estamos cheios de força para os novos projectos, no decorrer deste o ânimo tem de ser reforçado. Para isso nada como ter cadernos, blocos e agendas com frases inspiradoras que nos relembram de forma subtil os nossos objectivos, como encarar os dias menos bons e como conturnar as adversidades da vida.

– As caixas são uma forma engraçada de arquivar documentos. Sabemos sempre onde estão as cartas e papeis relacionados com cada assunto, e a secretária tem um ar arrumado sem papéis empilhados, o que permite maior concentração e foco no trabalho a realizar. 

– Nos dias que correm não há razão para ter secretárias enfadonhas. O material de escritório tende a ser cada vez mais bonito. Existem molas em metal dourado e branco e dourado que são muito mais agradáveis que as tradicionais pretas. Os clips aparecem em frascos divertidos e os mini kits de agrafadores, utilitários são o ideal para quem precisa destes acessórios de forma pontual e não quer ver a sua secretária toda ocupada com eles. 

Nova Data Para Workshop

Uma semana depois do primeiro workshop de 2020 já temos nova data.

Dia 7 de Março às 10H começa o nível 1. O nível 2 tem lugar no mesmo dia às 15h e o nível 3 domingo dia 8 de Março.

O número de vagas é limitado.

Inscrições para o mail Ritasalgueiro@gmail.com

Exposição La Fuite // A Fuga

A semana passada inaugurou mais uma exposição de Miguel Rodrigues, onde se podem ver várias obras pelas quais podemos atravessar, percorrendo “um caminho de fuga para a ilusão.”

Eu que sou mega fã do trabalho do Miguel Rodrigues fiz questão de estar presente. Com uma técnica única e de inspiração Barroca, o seu trabalho reflecte toda a imponência da época de uma forma sóbria mas à qual ninguém fica indiferente.

Os Arcos barrocos, efémeros, celebravam os sonhos e as esperanças de uma comunidade. Dourados festejam o desejo de diversão, de realizar o imediato, a liberdade do óbvio. Os Arcos que criam um caminho de fuga para essa festa, para referências que nos confortam, intrinsecamente reconhecidas. Uma fuga para uma realidade hiperbarroca”, refere o artista, a propósito dos 3 arcos de sua autoria que estão em exposição.

Para aqueles que, como eu, não podem ter uma peça desta dimensão em casa sem retirar todo o mobiliário, existe uma colecção de tamanho reduzido que conseguimos colocar em qualquer espaço da nossa casa.

A exposição está patente até dia 19 de Maio na Biblioteca do Palácio das Galveias, Junto ao Campo Pequeno.

Mesas de Páscoa

Domingo é um dia especial, é dia Domingo de Páscoa!
Para celebrar este dia a família junta-se à mesa e esta tem de estar a preceito para receber todos.

Para os que precisam de alguma inspiração ficam aqui alguns exemplos de mesas feitas por mim, para diferentes ambientes, que vos pode ajudar.

Créditos Fotográficos: Rui Ferreira da Silva

Créditos Fotográficos: Joana Sá Machado

Sala Filipe – E Agora O Que É Que Eu Faço?”

A Sala do Filipe foi dos projectos mais fáceis de resolver a nível decorativo e um verdadeiro desafio a nível de Layout!
A verdade é que nenhuma empreitada deveria seguir em frente ser passar pela avaliação de um designer de interiores, mas passam e o resultado é o que vemos na casa do Filipe, uma sala onde se tem de sacrificar a zona de estar ou de jantar. No caso do Filipe optei por sacrificar a de Jantar, uma vez que ele gosta de receber e com uma boa área de estar pode receber muitas pessoas, se der jantares volantes, e a família em jantares sentados.
Esta foi a planta que mostrei ao Filipe, no canto onde ficou a maquina de jogos está representado apenas um cubo, que ele pensou que iria ser a arca que dividia o espaço do hall de entrada para a sala, e por isso não está representada ao lado do sofá, onde ficou a fazer de mesa de apoio. Afinal a maquina de jogos era surpresa!

Desde o primeiro dia que me cruzei com este papel de parede da Ralph Laurent que estava deserta para o usar, mas não imaginam como é difícil “vender” a ideia de espaços cinza com papeis cinza e encarnados.
Todos querem ter um espaço diferente mas quase ninguém arrisca deixa-nos criar. Neste caso até a produção parou e me perguntou se já tinha falado com o candidato quando lhes disse que ia pintar tudo de cinza, com excepção de uma parede onde ia colocar um papel. Mas o Filipe reagiu de forma inversa, disse-me que se achava que ia ficar bem para avançar e não colocou nenhum entravo. A única questão que se levantei foi o tom de cinza, que por segurança lhe levei uma amostra mais clara e a que queria usar. Mas nem aqui o Filipe jogou à defesa e entregou-me o projecto. Desde o início que disse que não percebia nada de decoração, que queria cores mas não as sabias coordenar e por isso pediu-me ajuda!
A única peça que não foi aprovada foi um dos tecidos que escolhi para as almofadas.

Disse-me que não gostava muito, que era “um bocado abichanado”. Verdade que era um tecido arrojado, não é comum ver-se um tecido de leopardo encarnado e amar, ainda para mais sem estar a almofada confeccionada. É um facto que é um bicho, mas não o considero assim tãoooo abichanado, e continuo a achar que ia trazer imensa personalidade ao espaço! Mas este espaço era para o Filipe, ele queria um espaço masculino e nunca lhe iria colocar um tecido que não aprovasse. ( O que não significa que um dia não o venha a ver algures num outro projecto, e nesse dia talvez olhe para ele com outros … ou não!)

O importante é que o Filipe aprovou basicamente tudo, deixou-me trabalhar o espaço e eu tirei partido do existente… que à primeira vista parecia ser nada mas na realidade tinha bastante!

A primeira coisa que me passou pela cabeça quando entrei neste espaço foi “E Agora O Que É Que Eu Faço… se o Filipe me diz que quer ficar com estes sofás?” Mas felizmente não disse! A segunda foi “E Agora O Que É Que Eu Faço a estes tijolos de vidro que não servem para nada ainda para mais num canto? Depois de pensar um pouco optei por criar uma janela falsa e aproveitar o recanto para deixar a estante existente, com os dossiês da contabilidade e burocracia que existe em todas as casas e não fica bonita numa sala!

Contou-me que a palete, que fazia de móvel de Tv, lhe tinha sido oferecida por um amigo, assim como as caixas da lenha/pinhas e o quadro que estava por cima da lareira. Felizmente todas as peças tinham imenso potencial, só precisavam ser destacadas para serem valorizadas, e foram estas mesmas peças, que tinham valor sentimental, que serviram de ponto de partida para todo o projecto.

Depois de fazer 6 Layouts diferentes, para ver o que resultava melhor aproveitando a lareira e sem quebrar o espaço, e da reunião com o Filipe para aprovar a proposta, (Atenção que não tenho estas rugas todas, e não falo com a boca de lado!), foi pôr mãos à obra!

Esvaziar tudo, pintar de cinza, receber a visita de irmã e da Tia que foram uma ajuda preciosa, e expulsa-los a meio. É giro perceber que mesmo sabendo de quase tudo o que se vai passar, ninguém consegue visualizar o resultado final.

Quis colocar uma cabeça de veado à séria mas não queria retirar da sala o presente de um amigo que o Filipe tanto gosta. Passei o quadro para a nova zona de refeições e na lareira ficou um carneiro, que entra lindamente com o espaço eclético da sala do Filipe e os veados não chegavam a tempo. Como o Filipe disse logo de início que não sabia coordenar cores nada como colocar um abat jour com um pantone!

O resultado final foi muito acima do que o Filipe tinha imaginado, o que para mim foi um alívio. Saiu daquela sala com as expectativas tão elevadas que cheguei a temer que ao voltar tivesse uma desilusão, mas não. O Filipe adorou, a irmã conteu-se para não chorar e ver tudo isto não poderia ser mais gratificante!

Para quem não teve oportunidade de ver na televisão pode ver o programa no site da SIC Mulher.

O meu trabalho é este há muitos anos, mas é faseado e feito para ontem. Com esta experiência aprendi que em televisão é sempre para antes de anteontem. Trabalhamos à velocidade da luz, não há tempo para alterações e nada pode falhar.  Se os puffs escolhidos estão esgotados não podemos esperar que o stock seja reposto, é substituir na hora por outros que fiquem igualmente bem, sem hesitações que o tempo não pára e só temos 2 dias para fazer tudo!

Ao contrário do meu dia a dia, na televisão, subo e desço escadotes 30 vezes de seguida para colocar uma lâmpada, porque querem fazer o plano X, ou porque subi muito rápido, ou porque o plano não ficou o ideal, isto em todos os programas, com todos os pares de sapatos para depois não usarem nenhuma dessas imagens e usarem uma das outras vinte a colocar uma prateleira, ou arrumar estantes. Bendito Tiago Caramujo que fotografou isto tudo e disponibilizou na fotogaleria do programa!
No meu dia a dia também não tenho esta gente toda para ajudar, não tenho a Bárbara para me dar 10 a 0 nas corridas da maquina de jogos e ainda se rir de mim, para me ajudar e acompanhar nas filmagens.
Na televisão é tudo mais rápido, mais duro e cansativo, mas com esta equipa é tudo muito mais divertido!

E Agora O Que É Que Eu Faço?

Foi exactamente o que pensei no dia em que soube que tinha passado no casting, ao qual fui super descontraída como já contei aqui no Faz Sentido à Ana Rita Clara. Depois percebi que só tinha de fazer o meu trabalho, como sempre o fiz e sem abdicar dos meus saltos altos, só que à velocidade da luz.

Nada que uma pessoa não aguente! E a verdade é que adorei cada segundo, cada candidato e cada membro da equipa.

Foi uma experiência única! Sobrevivi ao acordar a horas impróprias, às noites de ansiedade e mal dormidas que me deixaram 3 anos mais velha, mas repetia tudo de novo… até algumas frases ao lado e com palavras como “divertido” em vez de “relaxante”, wi-fi em vez de bluetooth,  entre outras que um dia me vão proporcionar um vídeo de ir às lágrimas!

O programa já dispensa apresentações, e contínua a ser um sucesso na repetição que está a ser feita aos sábados à noite na Sic Mulher, mas ainda não tinha tido oportunidade de vos contar “pessoalmente” esta experiência.

Ao longo dos próximos dias, após a repetição de cada um dos programas em que participei, vou abrir um pouco mais as portas de casa de cada candidato e explicar cada projecto detalhadamente.

Não esperem vir a descobrir cenas escabrosas e de pancadaria porque não as houve, pelo contrário, fui surpreendida por uma equipa fabulosa que me ajudou em tudo o que pôde e mais não o fez porque a designer era eu, e já que me convidaram a participar neste projecto convinha fazer alguma coisa!

Para não dizerem que não disse nada de novo, respondo à pergunta que todos me fazem:
Como é trabalhar com a Barbara Guimarães? Apesar de se apresentar sempre de ténis não havia como, tive de olhar mesmo para cima cada vez que falávamos. Tirando este pormenor…e o facto de me ter ganho nos matraquilhos e nas corridas na máquina do Filipe, foi sempre muito fácil. Porque é sempre fácil trabalhar com pessoas com sentido de humor apurado e disponíveis para ajudar!

Creditos Fotográficos: Tiago Caramujo

Forma & Enredo – Novo Showroom

Diz o ditado que por trás de um bom profissional de interiores está sempre um bom fornecedor, e é uma grande verdade!

De seis em seis meses estão a sair coleções novas. Umas são apresentadas em eventos outras vão nos chegando através dos showrooms. São eles que sabem exactamente aquele tecido que temos em mente, em que catálogo está aquele papel de parede, nos ajudam a trabalhar e decidir o que levar ao cliente. Quanto melhor for o espaço fisico do showroom melhor para nós trabalharmos.

A pensar em tudo isto, e na nossa comodidade, a semana passada a Forma & Enredo deu a conhecer o seu novo espaço a todos os profissionais da área.  Um espaço com 300m2, recheado de tecidos, papeis de parede, tapetes e iluminação de prestigiadas marcas inglesas, americanas e dinamarquesas, que representam em Portugal. E parque de estacionamento gigante para cabermos todos.

Mesmo de frente para o Tejo dá-nos a oportunidade de usufruir da beleza deste enquanto nos deliciamos com as colecções da ROMO, Black Edition,  Kirkbydesign, Mark Alexander, Villa Nova, Zinc, Bluebellgray, Kvadrat,  Phillip Jeffries, Original BTC, Kinnasand e  Danskin.

É um espaço exclusivamente para profissionais mas nada nos impede de levar os nossos clientes para escolhermos tudo o que precisamos num só dia!

Frank Gehry & Ferreira de Sá – Exposição

Frank Gehry dispensa qualquer tipo de apresentação, e os Tapetes Ferreira de Sá vão pelo menos caminho, quando os dois se juntam o resultado é, como seria de esperar, divinal!

Para apresentar esta coleção foi organizada uma exposição, que inaugurou a semana passada, no Radio Palace, um palácio secular que já foi Museu da Rádio da Emissora Nacional, e que em breve passará a ser um condomínio residencial de luxo.

A coleção inclui cinco desenhos, que reflectem um sentido notável de ritmo e profundidade, usando a técnica “Hand-Tufting” e a arte do “Hand-Knotting” (Nó manual Português), que Ferreira de Sá domina na perfeição.

A exposição estará patente até dia 6 de Maio, na Rua do Quelhas 21, e é sem dúvida uma oportunidade única para conhecer esta coleção e o espaço original do Radio Palace.