Abrir um espaço em março, num ano em que praticamente não parou de chover até meados de maio, não facilitava a escolha da data para a inauguração. A maioria dos convidados teria de ficar no exterior e isso preocupava-me.
Foi então que o meu querido amigo Carlos Pissarra teve uma ideia genial… juntar a inauguração do Gabinete de Curadoria à comemoração dos meus 50 anos. E fazia todo o sentido. A verdade é que este espaço também nasceu muito por causa dessa data… era agora ou nunca!
Como faço anos a 30 de maio e este ano calhava num sábado, decidi passar o meu aniversário em Marrakesh e deixar a festa para quando regressasse. Assim, fazia um evento… dois em um.
Mas ainda faltava muita coisa. Antes de mais, era preciso que o Gabinete de Curadoria começasse realmente a parecer um Gabinete de Curadoria.
Tratei dos quadros. Entretanto chegaram as esculturas em bronze do escultor bronzeiro Touré Yacouba e, na semana anterior, tinham chegado também as jarras da Lo&eme. De repente, o espaço começava a ganhar exatamente a identidade que eu tinha imaginado… arte a conviver com peças comerciais, de marcas conhecidas e com preços mais acessíveis.
A curadoria estava feita. Agora faltava tratar da logística.
Champanhe, bolo, tapete para a entrada, garantir que os toldos chegavam a tempo… não chegaram todos, mas felizmente chegou o mais importante. Parecia um evento simples, duas horas ao final da tarde, mas quem já organizou um sabe que há dezenas de pequenos pormenores para resolver.
O facto de ser entre feriados deixava-me um bocadinho apreensiva. Tinha receio que viessem poucas pessoas e, como quase ninguém confirma presença, ainda pior… acabei por preparar tudo para cerca de trinta pessoas.
Quando fui buscar o bolo ia morrendo! Na minha cabeça, aquele peso correspondia a um bolo com o dobro do tamanho daquele que estava à minha frente. Achei imediatamente que não ia chegar para toda a gente.

No fim… apesar de terem passado por lá mais de cinquenta pessoas, ainda sobrou bolo. Passei praticamente a semana toda a comê-lo… para aprender a não ser exagerada.
Vieram clientes, fornecedores e, como não poderia deixar de ser, amigos.
Durante cerca de duas horas foi uma sucessão de pessoas a chegar com flores, presentes ou simplesmente um abraço e um sorriso para celebrar aquele momento comigo.
Lembro-me perfeitamente de olhar à minha volta e pensar… ainda bem que não veio toda a gente… senão tinha de fechar a rua!
Quando chegou a altura dos parabéns ainda houve mais uma aventura. A ideia era apagar as velas no exterior, mas fiz questão de ter cinquenta velas e o bolo acabou por ficar praticamente à porta para o vento não as apagar.
Entretanto, o Gabinete de Curadoria tinha perdido completamente o seu ar habitual. As floreiras serviam de frapés improvisados, as mesas de apoio seguravam guardanapos às riscas exatamente iguais ao papel de parede e algumas jarras receberam os arranjos maravilhosos oferecidos pela Lizgarden, parceira do atelier há mais de seis anos… mal imaginava eu a quantidade de flores que ia receber.
Foi um final de tarde maravilhoso. Nunca pensei que corresse tão bem!
Depois da inauguração ainda fomos jantar para prolongar a festa e, quando regressámos ao Gabinete de Curadoria para ir buscar os presentes e as flores, percebemos rapidamente que não ia conseguir levar tudo para casa.
Apesar de ter ido de carro, foi impossível. Levei muitas, mas ficaram tantas outras no atelier que, durante vários dias, bastava abrir a porta para voltar a sentir a alegria daquele dia.
Nessa noite, quando finalmente me deitei, lembro-me de pensar apenas uma coisa… mais um sonho realizado!


























