A casa de banho era o pior de tudo… assustadora!
O espaço apareceu, o conceito nasceu, o layout ficou pronto, a obra avançou… e eu achei que tinha tudo controlado. Mas não… a casa de banho do Gabinete de Curadoria continua a dar luta e eu já nem sei se me apetece comprar novamente esta guerra.
Assim que vi o espaço disse logo ao senhorio que aquela casa de banho ia mudar. Não me conseguia imaginar a usar aquele espaço tal como estava. Curiosamente, é também o único espaço que ainda hoje não está terminado.
Na minha cabeça estava tudo pensado ao pormenor. Ia ser toda em bordeaux, com um lavatório suspenso e uma bola de espelhos ao centro, mesmo por baixo do foco de luz, para refletir a luz por toda a divisão com aquele efeito tão característico das bolas de espelho.
A bola de espelhos ficou. Tudo o resto… foi uma verdadeira comédia.
A tinta bordeaux chegou… rosa escuro. Depois não chegou para acabar a pintura e a parede ficou com um aspeto de obra mal terminada, quando, na realidade, só lhe falta mais uma demão. O empreiteiro, ao fazer a parede de pladur, esqueceu-se de reforçar a parede onde ia ficar o lavatório suspenso e tive de optar por um lavatório com base.
A verdade é que isto aconteceu porque a obra era para mim… e porque tinha pressa. Se fosse para um cliente, tinha mandado retirar o pladur, reforçar a parede e nunca teria dado a obra por concluída sem a pintura terminada. Mas a Maria apressadinha que há em mim já não aguentava esperar mais para abrir o atelier. Não tive tempo de ir trocar a tinta, nem de comprar mais. Entre ter a casa de banho perfeita e abrir finalmente as portas, a escolha foi muito fácil. E, sim… abri o Gabinete de Curadoria sem sanita. Só chegou dois dias depois!
Um mês depois… percebi que estava na altura de abandonar o plano inicial.
Decidi então fazer uma continuidade da parede exterior. Preto até aos noventa centímetros de altura, um friso e, a partir daí, voltar ao encarnado, que era suposto ser bordeaux, acrescentando umas riscas rosa para lhe dar mais personalidade.
Tirei uma tarde no feriado de 1 de maio, ironia das ironias, no Dia do Trabalhador, e lá fui eu fazer de pintora no atelier.
Entretanto, como vou ser eu a acabar a casa de banho, o processo está a ser um bocadinho mais lento do que eu imaginava.
Neste momento a parte de baixo das paredes da casa de banho já está pintada de preto. Agora falta comprar o friso, pintá-lo, dar a terceira demão no encarnado e fazer as riscas rosa… ou então mudar tudo outra vez e colocar um papel de parede por cima do friso quando encontrar aquele papel que, tenho a certeza, um dia vai aparecer e resolver o assunto… ou ficar assim para sempre, para me lembrar de uma lição importante… nunca se dá uma obra por terminada nem se dispensa a equipa enquanto não estiver tudo realmente acabado.
Curiosamente, a única divisão que ainda não está terminada é precisamente a mais pequena. Como quase sempre acontece nas obras, nunca é o tamanho que determina a dificuldade. E, conhecendo-me como conheço, tenho a certeza de que um dia entro ali, olho para uma parede e saio de lá com uma ideia completamente diferente.
